quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Foicebook


Caro(a) leitor(a)

Está convencionado dizermos que "vem a talho de foice", a expressão idiomática para se dizer, por palavras diferentes, que "vem a propósito" falar-se disto já que se estava a falar daquilo. Quando alguma coisa vem a talho de foice, fazemos a ponte entre dois assuntos que, à partida, não têm ligação entre si. Mas só aparentemente é que não há vínculo entre eles, pois logo a seguir atamos as pontas separadas enquanto advertimos, "a talho de foice", que afinal uma coisa leva à outra.

Por exemplo, podíamos falar do inverno rigoroso com que fomos agraciados este ano. De caminho, enquanto resgatávamos da memória um anterior inverno tão severo, podíamos interrogar, a talho de foice, se o catastrofismo das alterações climatéricas faz sentido.Segundo exemplo, podíamos discutir a seriedade e honestidade do presidente cá do burgo a propósito da falta de dinheiro da CMB para pagar os subsidios em atraso ás associações, clubes desportivos, Juntas de Freguesia, etc, etc.. Para, a talho de foice, mergulharmos numa intensa discussão sobre a a veracidade dos factos depois de o municipio ter organizado a Beja Wine Night no 1º ano de mandato (100.000€), suportado algumas viagens ao estrangeiro do Sr. Presidente, de utilização de cartões de crédito etc. Terceiro exemplo: enquanto assistimos ao discurso habitualmente demagógico do senhor deputado do PS, Pita Ameixa, (na muito solene cerimónia em que esteve presente ou numa sessão qualquer do parlamento, circunstância em que ora), diríamos que vem mesmo a talho de foice falar de medicamentos que induzem o sono.

Esta é uma expressão idiomática que sempre me soou mal. Ouvia as pessoas dizerem "a talho de foice" e não percebia o que tinha o talho a ver com a foice. Pois se no talho se amanham as carnes dos animais já cadáveres que depois se expõem em nacos vistosos e se as foices são usadas para ceifar os cereais, tinha dificuldade em perceber a coerência entre as duas palavras. Naquela curiosidade típica da idade dos porquês que começa na infância e nunca mais pára, recordo-me de ter perguntado ao meu pai o que se pretendia dizer quando alguém pronunciava a expressão "a talho de foice". Sedimentei a resposta sem perceber a explicação. Continuei, pelo tempo fora, a coçar a cabeça de cada vez que escutava alguém dizer que isto vinha a talho de foice daquilo. A certa altura interroguei se não se tratava daquelas expressões idiomáticas que entram nos costumes sem nos darmos conta se elas têm qualquer significado.

O que é pedagógico é perfurar as paredes da expressão idiomática. Ela combina palavras que aparentemente encerram o significado da própria expressão. Qual é a relação causal entre o "talho" e a "foice"? Nos talhos não se comercializa o que é ceifado nas searas pelas foices empunhadas pelos camponeses. Da mesma forma que nos campos trabalhados pelas foices não se colhe mercadoria vendida nos talhos. Indo a fundo na expressão que combina dois termos tão em descompasso um com o outro, percebe-se o seu significado. Se, quando dizemos que isto vem a talho de foice em relação àquilo, queremos atar as pontas de dois assuntos que na aparência não têm qualquer relação entre si, faz todo o sentido dizer-se que "vem a talho de foice". O talho e a foice também não se entoam na mesma sintonia.

Que é como quem diz – pedindo o calão de empréstimo ao povo: quando se pensava que o cu não tinha a ver com as calças, afinal até tem.

Com isto... apenas queria dizer que a propósito do uso das novas tecnologias e redes sociais por parte do presidente cá do burgo, vem mesmo a talho de foice, lembrar que afinal não são só os comunistas que se queixam dele... Irrraaa
















2 comentários:

  1. Pois é, estala o verniz entre as comadres. Não esperava que o Orelha viesse para a "praça pública" lavar roupa suja com o amiguinho. Mas com amigos deste calibre e quando queremos manter uma réstia de dignidade há que dizer alguma coisa...
    Sabe da última caminhante? Se não sabe veja em oquetemoscadentro.blogspot.com, mais umas pinceladas da nova democracia instalada em Beja.
    Continue a vender sonhos...

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  2. Pois é, estala o verniz entre as comadres. Não esperava que o Orelha viesse para a "praça pública" lavar roupa suja com o amiguinho. Mas com amigos deste calibre e quando queremos manter uma réstea de dignidade há que dizer alguma coisa...
    Sabe da última caminhante? Se não sabe veja em oquetemoscadentro.blogspot.com, mais umas pinceladas da nova democracia instalada em Beja.
    Continue a vender sonhos....

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