sábado, 29 de janeiro de 2011

Que Alternativa?

Caro(a) Leitor(a)

O Grupo Teatro Forum de Moura (TFM), vai organizar este domigo na cidade salúquia um encontro subordinado ao Tema "Que Alternativa?" para debater e reflectir a partir desta pergunta um conjunto de paradigmas que existem na nossa sociedade e em particular na área das artes e da cultura. Este encontro, que é o primeiro do género no distrito, contará com a participação de personalidades ligadas ao jornalismo, politica, teatro, artes, escrita, entre outras manifestações culturais e artisticas.
O tema é pertinente num quadro em que as politicas seguidas pelo Ministério da Cultura e alguns municipios, têm sido seguidas por cortes no apoio à criação e fruicção cultural, (des)investindo apenas naquilo que é a difusão cultural de produtos para consumo massificado. 

Que Alternativa? Democracia cultural ou Democratização da Cultura?

Democratizar a cultura é um pouco como elevar o nível cultural das massas, contudo, a cultura pode continuar a ser qualquer coisa que se gera à margem dos que tiverem de ser os receptores, cuja produção continua a estar nas mãos de sectores muito minoritários do conjunto social. Democratiza-se o consumo cultural, mas a definição e a criação da cultura permanece elitista. A democracia cultural é como que pôr em causa a noção patrimonial da cultura e consequentemente, a politica de mais ampla repartição dos beneficiários para a substituir por um conceito que confia a definição da cultura à própria população.

Penso que o caminho é claro para quem quer construir uma politica cultural assente na identidade cultural de um povo ou região. A opção pela democracia cultural é o caminho, colocando desta forma nas mãos do povo os instrumentos e as ferramentas necessárias para que ele seja o principal impulsionador da sua identidade cultural e desta forma colocando em causa os "proprietários" da Cultura que por agora prefilam no nosso quotidiano, encapotados pelas redes de cultura e por apoios concedidos pelo QREN sob o manto de uma politica de desinvestimento na Cultura e colocando aos municipios opções empacotadas como um produto fechado "esta é a opção" se for outra já não é financiada.    

Hoje fala-se muito na cultura de massa, uma expressão equívoca e ambígua que, na linguagem corrente “faz referência ao tipo de cultura que se configura como consequência do consumo massivo dos produtos das indústrias culturais. Outros utilizam esta expressão para designar a uniformização dos gostos e interesses, e ao tipo de comportamento social, maneira de viver e de pensar produzido pelos mass - media, especialmente a televisão, cinema, rádio, revistas, publicidade, etc. (…) A cultura de massas, em geral, entende-se como o resultado da expansão dos meios de difusão massiva e a manipulação desses meios que influem nos sistemas perceptivos, nas expectativas e nos gostos das pessoas, com os seus efeitos generalizados de uniformização e dominação cultural.” (Ander-Egg, 1999: 23 e 44). 

Por outro lado, a cultura produzida pela “elite cultural” em que é preferencialmente produzida e transmitida a um grupo mais amplo, alimentando um “fantasma ideológico” que induz a ideia duma cultura de grau superior ou seja o etnocentrismo que é definido como tendência para um avaliar o outro que é diferente, segundo padrões do próprio avaliador, assumindo formas extremas de intolerância cultural, a ponto de considerar que o outro é inferior.

Depois de apresentada o conceito Beja Capital da Cultura e de nele ter visto uma opção politica em termos culturais claramente assente na Programação e que conta com um vasto leque de nomes e artistas interessantes para o consumo cultural, resta-me esperar para ver o trabalho que se segue no apoio á criação e fruicção cultural dos artistas locais, como forma de valorizar o que de bom temos em termos culturais.

A Ana Ademar já deu o Pontapéde saida para uma discussão pertinente aqui, acrescento eu que agora é preciso definir o rumo do que se quer e pretende com os artistas cá da terra. António Revez, cronista do Correio do Alentejo, já disse através da Carta Aberta ao Vereador da Cultura que subscrevo na integra, que agora falta o resto... e não é pouco.
Conselho Municipal da Cultura, Casa da Cultura, apoio às companhias e grupos do concelho, residências artisticas, ateliêrs e workshops diversos, sector educativo do Pax Julia, etc, etc, etc...  

Já o tinha dito e parece-me que o Nuno Figueiredo tem todas as condições técnicas e humanas para poder desenvolver um bom trabalho no apoio aos artistas, criadores e grupos locais, prova disso foi a forma como ele valorizou o trabalho desenvolvido pelo municipio (executivos anteriores), ainda que com as suas insuficiências, no programa da rádio pax, na criação de condições que permitem hoje ver o despontar de alguns grupos musicais bejenses.
Mas nem só de música vive a cultura, ela é mais ampla e heterogênea, contudo se o deixarem trabalhar e lhe deram as ferramentas que precisa terá ele condições para fazer um bom trabalho e a cidade sairá a ganhar.

Talvez e por ironia do destino projectos musicais como os Virgem Suta, Paulo Ribeiro, Eroscópio, Máscara, Ho-Chi-Minh, Babozza, Balão Dirigivel entre tantos outros resultam desse apoio concedido ao longo destes anos.

Não poderei estar, como gostaria, no Encontro promovido pelo TFM, mas não poderia estar mais de acordo com o tema e a pertinência da discussão que lá vai acontecer. Pena que não seja na Cidade de Beja, pois hoje mais que nunca, precisa ela de discutir e debruçar-se sobre esta temática. Ao TFM os meus parabéns pela decisão em discutir a Cultura, não fosse ela um pilar da democracia participada e avançada que queremos para o século XXI! 

Para além da reflexão / discussão, os particpantes poderão assistir igualmente a alguns Documentários que estiveram no DOC LISBOA.
Os interessados poderão consultar o programa a partir daqui.




















   






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