quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Malangatana

Caro leitor (a)

Hoje ao fim de tarde e depois d um dia de formação sem tempo para ouvir noticias ou ler a imprensa escrita, ouço pela TSF que o pintor Moçambicano Malangatana Valente Nguenha havia falecido. Comoveram-me as palavras de um outro grande escritor e amigo dele, falo de Mia Couto. 
Um dos pintores moçambicanos mais conhecidos em todo o mundo, tendo sido em 1997 nomeado pela UNESCO como "Artista pela Paz, foi sempre um pintor militante pelo seu oficio, arte e cultura de um povo. Trabalhou em vários ofícios humildes, foi pastor, aprendiz de curandeiro (tinha uma tia curandeira) e mainato (empregado doméstico).
A mãe bordava cabaças e afiava os dentes das jovens locais (uma moda da altura), o pai era mineiro na África do Sul. Com a mãe doente e um pai ausente, Malangatana foi viver com o tio paterno e estudou até à terceira classe. Aos 11 anos começou a trabalhar porque já era "adulto" e podia fazer tudo, de cuidador de meninos a apanha-bolas no clube de ténis.
Nos últimos 50 anos foi também muito mais do que pintor. Fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, actor, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência.
Ainda que o seu lado político seja o menos conhecido, Malangatana chegou a estar preso, pela PIDE, acusado de pertencer ao então movimento de libertação FRELIMO, sendo libertado ao fim de 18 meses, por não se provar qualquer vínculo à resistência colonial.
Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na "sua" Matalana.
Malangatana é um dos pintores moçambicanos mais conhecidos em todo o mundo. Em 2009 esteve a passar uma temporada em Portugal a convite da Câmara Municipal do Barreiro, para a criação de uma escultura monumental, alusiva à Paz. Quis o destino que fosse em Portugal que Malangatana partisse...
 


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